17.1.10

A Contradição na Existência de Deus

No 21° Capítulo, intitulado “A contradição na existência de Deus”, Feuerbach explica que a religião é o relacionamento do homem com a sua própria essência, mas com a sua própria essência não como sendo sua, mas de um outro ser diverso dele, até mesmo oposto. Demonstra que esta é a grande inverdade criada pela religião, a base de todas as crueldades e tragédias da história da sua história. Diz que a concepção da essência humana como uma outra essência é originalmente uma concepção infantil, ingênua, que distingue Deus do homem e que acaba identificando-o novamente com o próprio homem. Mas quando a religião aumenta em razão com o passar dos anos, quando surge dentro da religião a reflexão sobre a religião, então a conciência da unidade da essência divina com a humana começa a desaparecer. Ou seja, quando a religião se torna teologina a cisão inicialmente expontânea entre Deus e o homem dá lugar a uma dissipação na conciência de tal unidade. Por isso, quanto mais proxima a religião estiver da sua origem, tanto mais verdadeira e sincera ela será, tanto menos ocultará ela esta essência. O primeiro modo quanto ao conceito pelo qual a reflexão sobre a religião, a teologia transforma, coloca fora do homem a essência divina numa outra essência, é a existencia de Deus, que é transformada numa prova formal. As provas da existência de Deus foram declaradas como contraditórias à essência da religião, quando a formação da demonstração. A religião apresenta imediatamente a essência interior do homem como uma essência diversa, objetiva. O ser mais perfeito é o ser acima do qual não pode ser pensado nenhum mais elevado e Deus é o que há de mais elevado que o homem pensa e pode pensar. Este é o princípio fundamental da prova ontológica da existência de Deus, a premissa que expressa o que há de mais secreto na essência da religião, ou seja, que Deus é o que há de mais elevado para o homem, além do que ele não pode abstrair mais, aquilo que é o limite essencial da sua razão, da sua afetividade, da sua intenção. É esta supremacia que garante a sua existência. O contraditório ao sentido religioso está somente no fato da existência ser pensada separadamente, surgindo daí a ilusão de que Deus seria um ser somente pensado, existente na idéia, ilusão esta que é imediatamente suprimida, pois a demonstração prova exatamente que Deus é um ser diverso do pensado, um ser exterior ao homem, ao pensamento, um ser real,um ser por si. As provas da existência de Deus têm por meta exteriorizar o interior, separá-lo do homem. Através da existência torna-se Deus uma coisa em si. Deus não é somente um ser para nós, um ser em nossa fé, em nossa afetividade, em nossa essência, ele é também um ser por si, um ser fora de nós, quer dizer, não só fé, sentimento, pensamento, mas também um ser real, diverso do crer, do sentir e do pensar, mas um ser também sensorial. A existência de Deus então é um intermediário entre existência sensorial e existência pensada. Feuerbach procura explicar que somente a fantasia soluciona a contradição entre uma exist~encia ao mesmo tempo sensorial e não-sensorial. Na imaginação tem a existência efeitos sensoriais. Quando a existência de Deus é uma verdade viva, uma questão da imaginação então torna-se naturalmente possível a crença em todas as manifestações de Deus. A crença na existência de Deus é a crença numa existência especial, diversa da existência do homem e da natureza. Sendo uma existência especial só pode ser documentada de maneira especial. Portanto, esta crença só é verdadeiramente viva a partir da crença nos efeitos especiais, nas manifestações diretas de deus, nos milagres. Só então, quando a crença em deus se identifica com a crença no mundo, quando a crença em deus não é mais uma crença especial, quando a essência geral do mundo inclui o homem total, só então desaparece naturalmente também a crença em efeitos especiais e manifestações de Deus.

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